24/08/2009

O segundo em que uma folha cai

Uma folha solta do galho
E o primeiro choro ecoa no ar
As cores de vermelho para verde se alteram,
e os carros saem
O avião entra na torre
O sim, não entristece mais
Arrependido do beijo roubado
A torre no chão se desfaz
A luz queima no instante
que o brilho de amor renasceu
O certo volta errante
Num pensamento que não era meu
O volume se aumenta, e as mãos
emitem expressões
O papel é cortado
O beijo devolvido
O amor envelhecido
E outra torre é atingida
O compositor compõe num tempo parado
O tempo compõe ao compositor,
no mesmo tempo que o aborto acontece,
junto de uma barriga que cresce
No ato romântico da cena
A tragédia, que encena o apito da derrota
Mas antes que o breve momento acabe
É outro riso que não pára mais
É condenado um jovem rapaz
E a revolução?
Avante, avante..
Podemos sempre mais!
Os tempos perdidos
Sonhos abandonados
Os velhos unidos
Sentimento enterrado
Tudo não mais que uma flor
Não mais que o frio
Depois vem horror
Mas não se esqueça:
Existirá sempre uma saudade
Nunca do que ficou
Sempre do que deixou
E a folha chega ao chão.


(por Douglas Andrade)

Um comentário:

  1. nuss... simplesmente
    subjetivo e no todo
    essência... seus escritos
    me encantam...

    ResponderExcluir